Alguns leitores me sugeriram que a vida fosse abordada aqui. Há muito o que conversar sobre isso: como a vida surgiu no planeta, qual sua definição, a partir de que estágio um conjunto de moléculas pode ser considerado um ser vivo. O assunto rende.
Mas meu primeiro post a respeito tem como inspiração uma notícia que a confetti, comentarista frequente desse blog, citou no Pandorama, e que mostra como pode ser estranha nossa relação com essa entidade misteriosa que é a vida: George Tiller foi assassinado no último domingo.
Tiller era um dos médicos americanos mais conhecidos pela realização de abortos de fetos em estágio já avançado nos EUA. Ele foi alvejado enquanto distribuía boletins para os frequentadores da igreja protestante onde era membro atuante.
O principal suspeito, Scott Roeder , é um conhecido ativista anti-aborto ou, como gostam de ser conhecidos os defensores da ideia, um ativista pro-life. Curioso é que Roeder, o pro-life, acredita que o assassinato de um médico que realiza abortos é justificável.
E ele não está sozinho. Regina Dinwiddie, outra ativista pro-life, diz na reportagem do Washington Post citada pela confetti que não acredita que Tiller foi assassinado, e sim que teve sua trajetória, que já durava tempo demais, encerrada.
A estranha mente dessa gente poderia ser resumida assim: “eu acho que você é um assassino porque tira vidas, logo, vou tirar a sua.”
Pro-life significa pró-vida. Como disse outra comentarista desse blog, a Nhé!, isso é “altamente contraditório”. Com o que eu concordo plenamente.
P.S.: o comentarista e blogueiro Paulo Roberto Silva pretende desenvolver o assunto desse post em seu blog, o Debates e Valores. Quem sabe surge daí um bom debate entre essas duas casas?
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Em um próximo post, uma discussão sobre a definição biológica de vida.
