(A partir de uma dica do Pax)
Há basicamente dois argumentos usados pelos detratores dos transgênicos.
O primeiro deles é que não existem pesquisas clínicas em quantidade suficiente, nem com duração adequada, para se ter certeza que o consumo de alimentos geneticamente modificados não acarreta problemas à saúde.
O segundo, relacionado diretamente ao assunto do último post, é o de que o cultivo de culturas transgênicas pode trazer riscos ao ambiente, em especial à biodiversidade.
Um exemplo: algumas variedades de OGMs foram manipulados de forma a produzirem substâncias tóxicas para os insetos que utilizam essas plantas como alimento. A intenção é clara: o animal, ao se alimentar, é envenenado e morre. Combate bastante eficiente contra pragas.
Mas os ambientalistas, com razão, levantam alguns problemas no cultivo dos transgênicos. Um deles é que o uso em larga escala desses organismos modificados poderia levar a uma eliminação drástica de várias espécies de insetos, podendo mesmo chegar a extinções na região de cultivo.
Outra preocupação é com a polinização cruzada: grãos de pólen produzidos pelas plantas modificadas poderiam polinizar espécies selvagens, levando-as a adquirir a capacidade de produção da substância tóxica. Assim, insetos que não constituem pragas também passariam a correr riscos.
Há também o caso dos OGMs que são resistentes a ervas daninhas. O uso intensivo dessas variedades poderia reduzir drasticamente a população dessas ervas, prejudicando todos os animais que dependam direta ou indiretamente delas para a alimentação.
Agora vem o detalhe importante: todas essas preocupações são legítimas, mas ainda não existe a convicção plena e geral por parte da comunidade científica de que esses eventos realmente possam ocorrer.
É possível? Claro que sim. Eu diria mesmo que é muito provável. Mas a ciência trabalha com fatos. Enquanto eles não são concretos, afirmações não passarão de especulações.
