Darwiniano

18 nov, 2009

Estrelas-do-mar e o vai e vem das marés

Postado por: Darwinista Em: Sem categoria

Com base na regulação da temperatura corporal, os animais são divididos em dois grupos: endotérmicos e ectotérmicos.

Os endotérmicos, que são as aves e os mamíferos, têm uma série de mecanismos fisiológicos e comportamentais que os permitem manter a temperatura corporal mais ou menos constante, independentemente das variações ambientais.

Já os ectotérmicos, que são a maioria, não possuem essas adaptações fisiológicas. Por isso, a temperatura corporal de seus corpos tende a variar de acordo com a temperatura ambiental. Basicamente, o único modo que eles têm de enfrentar o problema é por meio de comportamentos diferenciados. É só lembrar do jacaré lagarteando sob o Sol, por exemplo.

Estrelas-do-mar são ectotérmicas. Quando habitam costões rochosos, tem que enfrentar diariamente as variações das marés. Assim, durante uma parte do dia estão submersas na água fria. Quando a maré é baixa, ficam esturricando sob o Sol.

Pesquisadores da University of South Carolina descobriram na estrela-do-mar da espécie Pisaster ochraceus uma forma até então desconhecida de enfrentar o dilema da temperatura. Durante a maré alta, elas enchem o corpo com a água do mar. Dessa forma, durante a maré baixa, o corpo é resfriado pelo reservatório de água.

A quantidade armazenada é tão grande que, em termos proporcionais, é como se um ser humano ingerisse mais ou menos uns 7 litros de água!

É fascinante a diversidade de adaptações dos seres vivos aos desafios do ambiente. Mas essas adaptações levam normalmente muito tempo pra se estabelecerem. Se a temperatura dos oceanos se elevar muito, esse recurso da estrela Pisaster pode se tornar inócuo, tornando-a mais uma espécie em risco no planeta.

16 nov, 2009

Empurrando com a barriga

Postado por: Darwinista Em: Sem categoria

Agora é definitivo. A COP 15, conferência que visava produzir um acordo substituto ao moribundo Protocolo de Kyoto, será pouco mais que uma reunião de comadres políticos para um café.

O presidente dos EUA, Barack Obama, declarou, em conjunto com outros líderes, que é impossível tecer um acordo de cumprimento obrigatório em dezembro. Um dos motivos é a dificuldade do presidente americano em negociar com seu congresso.

Isso significa que o problema será empurrado com a barriga para a conferência do clima, que acontecerá no México em dezembro de 2010. Alguma dúvida de que, até lá, o avanço será pequeno?

Enquanto isso, a última edição da Science traz um artigo indicando que o degelo da Groenlândia está acelerando. Um fenômeno meramente circunstancial? Tomara.

13 nov, 2009

Uma trilha sonora – Um Violinista no Telhado

Postado por: Darwinista Em: Sem categoria

Como quase todo mundo, eu não gosto muito de musicais. Mas Um Violinista no Telhado é diferente. Todas as músicas são muito boas e a história é ótima, não se arrasta. Impossível não gostar.

Pra quem não conhece, o filme, baseado em um musical da Broadway, narra a história de uma família pobre em uma comunidade judaica do leste europeu. Ao mesmo tempo que convive com a discriminação por fazer parte de uma minoria, o personagem principal, Tevye, vê suas tradições serem questionadas por suas filhas.

A condução da orquestra é de John Williams, o mesmo que compôs a trilha de quase todos os filmes de Spielberg.

1. Tradition and Main Title

2. Matchmaker, Matchmaker

3. If I Were a Rich Man

4. Sabbath Prayer

5. To Life

6. Miracle of Miracles

7. Tevye’s Dream

8. Sunrise, Sunset

9. Wedding Celebration and the Bottle Dance

10. Do You Love Me?

11. Far from the Home I Love

12. Chava Ballet Sequence

13. Anatevka

14. Finale

12 nov, 2009

Há 20 anos atrás

Postado por: Darwinista Em: Sem categoria

O portal UOL está publicando nesses dias uma série especial sobre os 20 anos da primeira votação para presidente da República pós-ditadura militar.

Uma das matérias traz uma coletânea em vídeo com os principais jingles dos principais candidatos – que eram muitos por sinal (clique aqui pra assistir). Estão lá o irritante “lálálálálá Brizola”, Ulysses Guimarães tentando cativar o eleitorado com a condição de velhinho, Tião Macalé pedindo voto pro Affonso Camargo (“é pra votar no home, cambada de nojento!”) e até a inacreditável campanha de Silvio Santos.

Mas é claro que o ponto alto da coletânea é Lula-lá, um dos melhores jingles eleitorais já compostos. O clipe foi tirado da campanha do segundo turno, mostrando famosos e anônimos agrupados no estilo USA for Africa, muitos deles derivados da campanha de Brizola.

Eu não sou muito chegado a saudosismos, mas assistir ao clipe desse jingle me fez ter saudade desse tempo em que a esperança era extraordinariamente grande. Como também era grande a vontade de romper com o passado verde-oliva, com os terríveis anos sarney (o minúsculo é proposital), de colocar o futuro nas mãos dos que combateram a ditadura.

Naquele segundo turno todos éramos Lula. Não havia Brizola, Covas ou Ulysses. Havia o povo que sonhava com rumos diferentes. O povo fazendo o L com os indicadores e polegares, o povo cantando nos comícios, o povo indignado com a edição nojenta do debate no Jornal Nacional.

Depois, claro, tudo mudou. Lula virou “paz e amor”, associou-se aos sarneys, renunciou ao passado de “bravatas”, jogou nossa esperança no lixo. Mas há 20 anos atrás, artistas renomados não tinham medo de mostrar de que lado estavam, votar era uma ato ansiado de liberdade, e não uma imposição cretina, e a divisão entre o bem e o mal era muito nítida.

Hoje, tudo é mal. Tudo é cinza, nebuloso. 1989, infelizmente, acabou.

10 nov, 2009

Do gelo à alga

Postado por: Darwinista Em: Mudanças climáticas

Uma das consequências mais bombásticas geradas pelas mudanças climáticas é o derretimento do gelo presente em certas localidades como o Ártico, a Antártica e picos de montes como o Kilimanjaro.

Especialmente em relação às geleiras, a perda dessas camadas de gelo fez surgir vários tipos de medos, como o da elevação do nível dos mares que poderia levar ao desaparecimento de cidades e até países inteiros.

Mas uma equipe de pesquisadores do British Antarctic Survey, entidade que desenvolve pesquisas nas regiões polares, demonstrou que o derretimento de camadas de gelo na península antártica provoca um fenômeno que, curiosamente, combate um dos maiores vilões das mudanças climáticas: a alta concentração de CO2 na atmosfera.

O processo é simples: o aumento da temperatura global provoca o derretimento das geleiras. Onde antes havia gelo, agora existe água. E essa porção de água logo é colonizada pelo fitoplâncton.

O fitoplâncton é uma comunidade aquática formada por organismos fotossintetizadores, especialmente algas microscópicas. A fotossíntese é o processo que esses organismos realizam para produzir seu alimento. E uma das matérias-primas da fotossíntese é justamente o CO2.

Assim, a proliferação desses organismos aumenta a retirada desse gás de efeito estufa da atmosfera. Segundo os pesquisadores, esse seria o segundo processo natural mais importante na captura de carbono atmosférico, só perdendo para a captura realizada pelas florestas que estão crescendo nos locais onde o gelo do Ártico derreteu.

10 nov, 2009

Baixaria sem fim

Postado por: Darwinista Em: Sem categoria

A UNIBANdalheira resolveu expulsar a garota da saia escandalosa. O mundo caiu em cima. A direção da universidade (sic) percebeu que fez cagada e resolveu readmitir a moça. E vários estudantes (sic) da Uniban apoiaram a expulsão.

É uma quantidade tão grande de atitudes cretinas que chega a espantar. Mas pelo menos o caso tem servido pra gerar um bom número de bons textos, como o que Flavio Gomes escreveu em seu blog. Segue um trecho:

Aí a Uniban expulsa a menina, dizendo que os alunos que a chamavam de “puta” e queriam bater na coitada estavam “defendendo o ambiente escolar”. Puta que pariu! Como é que pode? Como podem adultos, “educadores”, que teoricamente têm um pouco mais de neurônios em funcionamento, reduzirem a questão a isso? E criticarem a menina porque ela se veste assim ou assado, anda rebolando, “se insinua”?

Pior: muitos, mas muitos mesmo, alunos defenderam a expulsão. Acham que a menina é uma vagabunda que provoca os colegas. Bando de animais, intolerantes, sádicos, hostis, agressivos. Eu nunca deixaria um filho meu estudar numa universidade frequentada por esse tipo de gente e dirigida por cretinos do naipe dos que assinaram a expulsão e, depois, revogaram-na sem revelar o motivo — aquele que nunca será admitido, o prejuízo à imagem dessa porcaria de empresa, sim, empresa, e das mais lucrativas, porque chamar um negócio desses de “universidade” é desmoralizar a palavra.

05 nov, 2009

Calligaris e o caso UNIBAN

Postado por: Darwinista Em: Sem categoria

Na Folha de São Paulo de hoje, Contardo Calligaris faz uma ótima análise sobre o caso da corja da UNIBAN. Seguem dois trechos:

Entre esses boçais, houve aqueles que explicaram o acontecido como um “justo” protesto contra a “inadequação” da roupa da colega. Difícil levá-los a sério, visto que uma boa metade deles saiu das salas de aula com seu chapéu cravado na cabeça.
Então, o que aconteceu? Para responder, demos uma volta pelos estádios de futebol ou pelas salas de estar das famílias na hora da transmissão de um jogo. Pois bem, nos estádios ou nas salas, todos (maiores ou menores) vocalizam sua opinião dos jogadores e da torcida do time adversário (assim como do árbitro, claro, sempre “vendido”) de duas maneiras fundamentais: “veados” e “filhos da puta”.

(…)

Quanto a “filho da puta”, é óbvio que ninguém acredita que todas as mães da torcida adversa sejam profissionais do sexo. “Puta”, nesse caso (assim como no coro da Uniban), significa mulher licenciosa, mulher que poderia (pasme!) gostar de sexo.
Os membros das torcidas e os 700 da Uniban descobrem assim um terreno comum: é o ódio do feminino -não das mulheres como gênero, mas do feminino, ou seja, da ideia de que as mulheres tenham ou possam ter um desejo próprio.
O estupro é, para essas turbas, o grande remédio: punitivo e corretivo. Como assim? Simples: uma mulher se aventura a desejar? Ela tem a impudência de “querer”? Pois vamos lhe lembrar que sexo, para ela, deve permanecer um sofrimento imposto, uma violência sofrida -nunca uma iniciativa ou um prazer.

O artigo completo pode ser lido aqui (pra assinantes UOL).

04 nov, 2009

COP 15 indo pro brejo?

Postado por: Darwinista Em: Sem categoria

Cada vez mais fico com a impressão de que a COP-15, a reunião das partes que vai acontecer em Copenhagen em dezembro, vai fazer água.

São freqüentes os alertas de figurões da área ambiental, dizendo que se tal meta não for cumprida, ou se tal país não assumir tal compromisso, a reunião não vai adiantar de nada.

O Brasil já começa a dar sua colaboração pra que Copenhagen não produza nada de muito importante. Enquanto Carlos Minc trabalha com uma meta de redução na emissão de CO2 na casa dos 40%, a candidata-ministra Dilma já avisou que tem que ver direito isso, veja bem, porque não podemos prejudicar o crescimento do país…

Nas palavras dela: “O número tem de ser credível. Nós não estamos aqui para fazer uma proposta que não tenha credibilidade”. Tradução: “Agora que a gente tem a chance de crescer, vocês querem que a gente desacelere? Nem a pau!”

Ora, se o Brasil, que supostamente é um dos líderes na questão ambiental, já começa a relativizar seu papel na redução de emissões de gases estufa, o que esperar dos EUA e da China, por exemplo?

29 out, 2009

Da hipocrisia que enoja

Postado por: Darwinista Em: Sem categoria

Então uma aluna do curso de turismo da Uniban de São Bernardo do Campo resolveu assistir às aulas com um vestido bem curto. Os demais alunos da distinta universidade, todos de reputação ilibada, conduta irretocável, respeitadores dos mais profundos valores morais e éticos que nossa sociedade tanto preserva, resolveram protestar contra a postura da colega.

Em cenas que lembram as perseguições de puritanos às acusadas de bruxaria, os zelosos estudantes perseguiram a garota pelos corredores da universidade aos gritos de “puta, puta”. O tumulto foi tão grande que a “despudorada” teve que ser escoltada pela polícia militar para fora do prédio, não sem antes ser coberta por um jaleco que ajudava a esconder suas vergonhas.

Eu detesto saudosismos. Vira e mexe recebo aqueles arquivos em Power Point com textos de quarentões ou cinquentões anônimos escandalizados com a juventude atual, e tecendo loas à vida maravilhosa e descomplicada que eles tinham antigamente. Acho uma grande bobagem, uma tremenda dor de cotovelo de quem não sabe envelhecer. Mas há pelo menos uma comparação saudosista que me parece legítima: a postura dos estudantes universitários de ontem e hoje.

Não faz tanto tempo assim, a molecada era presa porque protestava contra um governo ilegítimo e opressor. Hoje, eles perseguem garotas em vestidos curtos.

Banco de hipócritas cretinos. No meio da turba que molestava a garota, havia com certeza vários cheiradores, filhinhos de papai que enchem a cara e saem com seus carros atropelando gente inocente, falsificadores de assinaturas em lista de presença, compradores de provas, subornadores de policiais, aproveitadores de garotas bêbadas, babacas que gostam de atirar ovos da janela de suas coberturas.

Que esses babacas possam chafurdar na própria hipocrisia e se alimentar dos restos que a vida medíocre que eles levarão lhes proporcionem.

Pra quem se interessar em ver o vídeo que mostra a ação dos puritanos, vai o link:

http://tvig.ig.com.br/180444/estudante-causa-tumulto-por-usar-minissaia.htm

Atualização: Nos comentários, o André HP faz uma ressalva muito pertinente. Do modo como escrevi, fica a impressão que estou generalizando. É claro que nem todos os universitários são como esses mentecaptos da Uniban. Na minha recente e curta passagem pelo curso de Psiclogia da UFSCar, por exemplo, conheci uma garotada muito bacana. Mas ainda acredito que o nível, em todos os sentidos, dos estudantes de ensino superior fica a cada dia pior.

28 out, 2009

A culpa é do gado

Postado por: Darwinista Em: Mudanças climáticas

O Times londrino divulgou, ontem, declarações de Lord Stern of Brentford, professor da London School of Economics. Baseado no fato de que o gás metano liberado pelos rebanhos é muito mais efetivo como gás de efeito estufa que o gás carbônico, ele propõe que a humanidade pare de comer carne.

 Porque os rebanhos são gigantescos hoje em dia? Para suprir a demanda, claro. E porque a demanda é tão grande? Porque há gente demais. Gente que, em sua maioria, consome carne.

 Gente come carne porque seu sistema digestório é adaptado a isso. Temos enzimas e outras substâncias especialmente dedicadas a esse fim. Não é natural deixar de comer carne. O que o professor Stern propõe é: parem de comer aquilo a que vocês estão preparados fisiologicamente pra comer.

 Pois eu tenho uma proposta alternativa: façam menos filhos. Permitam que a população mundial entre em declínio. Com menos gente, teremos menor demanda, menores rebanhos e menores emissões de gás metano.

 Aliás, a demanda para tudo diminuiria. Por petróleo, por automóveis, por espaço… A vida de todos os que habitam o planeta ficaria muito melhor.

 Em tempo: Lorde Stern NÃO é vegetariano. A informação anterior estava equivocada.