Com base na regulação da temperatura corporal, os animais são divididos em dois grupos: endotérmicos e ectotérmicos.
Os endotérmicos, que são as aves e os mamíferos, têm uma série de mecanismos fisiológicos e comportamentais que os permitem manter a temperatura corporal mais ou menos constante, independentemente das variações ambientais.
Já os ectotérmicos, que são a maioria, não possuem essas adaptações fisiológicas. Por isso, a temperatura corporal de seus corpos tende a variar de acordo com a temperatura ambiental. Basicamente, o único modo que eles têm de enfrentar o problema é por meio de comportamentos diferenciados. É só lembrar do jacaré lagarteando sob o Sol, por exemplo.
Estrelas-do-mar são ectotérmicas. Quando habitam costões rochosos, tem que enfrentar diariamente as variações das marés. Assim, durante uma parte do dia estão submersas na água fria. Quando a maré é baixa, ficam esturricando sob o Sol.
Pesquisadores da University of South Carolina descobriram na estrela-do-mar da espécie Pisaster ochraceus uma forma até então desconhecida de enfrentar o dilema da temperatura. Durante a maré alta, elas enchem o corpo com a água do mar. Dessa forma, durante a maré baixa, o corpo é resfriado pelo reservatório de água.
A quantidade armazenada é tão grande que, em termos proporcionais, é como se um ser humano ingerisse mais ou menos uns 7 litros de água!
É fascinante a diversidade de adaptações dos seres vivos aos desafios do ambiente. Mas essas adaptações levam normalmente muito tempo pra se estabelecerem. Se a temperatura dos oceanos se elevar muito, esse recurso da estrela Pisaster pode se tornar inócuo, tornando-a mais uma espécie em risco no planeta.


