Darwiniano

20 mai, 2010

Esse é Isaias Raw

Postado por: Darwinista Em: Debate

Pra quem não sabe, Isaias Raw foi, até ano passado, presidente da Fundação Butantã. Renunciou durante uma investigação de desvio de verbas. No UOL, hoje, ele diz:

“Aquilo [o acervo] é uma bobagem medieval. Você acha que a função do Butantan é cuidar de cobra guardada em álcool ou fazer a vacina para as crianças?”, disse. Para ele, “não dá para cuidar das duas coisas”.

Tem algum pesquisador do Butantã por aí? Se tiver, a caixa de comentários e toda sua.

18 mai, 2010

O incêndio no Butantã

Postado por: Darwinista Em: Colaborações

Cautela. Essa é a principal característica que um consumidor de notícias deve ter. Seja lá qual for o veículo de informação ou o assunto abordado, todo leitor, ouvinte ou telespectador de noticiários precisa ficar, sempre, com um pé atrás em relação ao que lê, ouve e vê.

O incêndio que atingiu parte do Instituto Butantã foi um evento cujas proporções catastróficas só podem ser verdadeiramente avaliadas e sentidas por quem vivenciava o cotidiano da instituição. Há questões graves que permeiam essa história, e que pouco foram abordadas pelos principais meios de informação.

Para ajudar a esclarecer um pouco mais o caso, o Darwiniano publica nesse espaço o relato de uma pessoa que conhece intimamente o funcionamento do Instituto Butantã e que, por razões óbvias, será mantida no anonimato:

“O Instituto Butantan sofreu no sábado, 15 de maio, uma perda irreparável. Mas isso não a tornava inevitável. O prédio, bastante antigo, precisava de manutenção urgente. Não era apenas o detector de fumaça que faltava, como divulga a imprensa. Faltava tudo: materiais, papel higiênico, segurança.

Duas semanas antes do ocorrido, um ladrão entrou no laboratório de Artrópodes  e levou o notebook de um dos pós-graduandos. Entrou, teve a paciência de colocar o notebook na mala do pós-graduando e sair calmamente pela porta da frente. O prejuízo foi somente financeiro neste caso? Não. Há dados que também se perdem, mas a diretoria do Butantan nada fez a respeito.

Outra informação divulgada é que os laboratórios não tinham detectores de incêndio. Fato. Mas, além disso, não contava com brigada de incêndio e nem acesso decente para os caminhões de bombeiro, que tiveram a entrada dificultada e perderam tempo. A obra que serviria para facilitar a entrada dos caminhões iniciou-se há um ano e foi interrompida, transformando-se em uma vaga para automóveis.

No dia fatídico, os alunos foram proibidos de dar entrevistas. Por quê? Alguém se importava com a dor deles? NÃO! Isso aconteceu somente para não mostrar em rede nacional o descaso como eram tradadas a maior coleção de serpentes tropicais do mundo e a maior coleção de aranhas e escorpiões da América do Sul. Sem segurança, o acervo era cuidado da melhor forma possível pelos professores e alunos, mas deixado de lado pelo Instituto.

Agora o Instituto que colaborar. Duvido que isso vá durar. Assim que o assunto sair da mídia, os alunos serão realocados em qualquer laboratório e a reconstrução da parte física (uma vez que é impossível recuperar os animais) demorará anos. Muito obrigado, senhor diretor.”

17 mai, 2010

A “peste”, versão para anfíbios

Postado por: Darwinista Em: Conservação| Zoologia

Uma das grandes catástrofes ambientais do nosso tempo é o ritmo acelerado com que populações de anfíbios têm desaparecido. Cerca de 40% das mais de 6000 espécies de anfíbios encontram-se, nesse momento, ameaçadas de extinção.

Em geral, atribiui-se essa calamidade a ações humanas como a eliminação de habitats e a introdução de espécies exóticas. Mas um estudo publicado na versão online da PNAS mostra que um parasita pode ser a maior causa do problema.

Já se sabe há algum tempo que o fungo Batrachochytrium dendrobatidis é um dos responsáveis pelo declínio das populações de anfíbios. Ele é o causador da quitridiomicose, doença que afeta a pele desses animais.

Batrachochytrium dendrobatidis

Vance T. Vredenburg, da San Francisco State University, e seus colegas analisaram o alastramento desse fungo em populações de rãs conhecidas, em inglês, como mountain yellow-legged frog (algo como rãs de pernas amarelas das montanhas), que podem ser de duas espécies: Rana muscosa e Rana sierrae.

Rana muscosa

As populações estudadas habitavam lagos de Sierra Nevada, California (EUA). Os testes indicavam que não havia a presença do Batrachochytrium nos anfíbios antes da epidemia. Porém, uma vez estabelecido, o fungo se alastrava rapidamente, eliminando a população de rãs ou diminuindo drasticamente o número de indivíduos.

O estudo traz duas conclusões importantes:

1. Não existe consenso sobre qual é a causa do alastramento global do Batrachochytrium. Uma das hipóteses é a de que o fungo já estaria presente nos anfíbios, e as alterações climáticas estariam favorecendo sua reprodução. Porém, o estudo de Vredenburg mostra que as populações estudadas não estavam contaminadas antes da epidemia. Assim, o mais provável é que essa seja uma doença emergente.

2. Além da impressionante e assustadora ação do fungo, o estudo mostra que a praga se alastrava apenas após atingido uma determinada intensidade de infecção nos animais. Assim, os pesquisadores propõem que métodos de controle da infecção podem diminuir as chances de extinção. Entre esses métodos estariam o tratamento de animais doentes, que seriam devolvidos ao ambiente após curados, e a captura de rãs assim que os primeiros sinais da doença fossem detectados. Elas então seriam liberadas apenas quando a epidemia arrefecesse.

O artigo completo, onde pode-se ver o mapa da impressionante ação do Batrachochytrium, está aqui. (O link anterior  direcionava para um artigo incorreto. O problema já foi corrigido.)

16 mai, 2010

Ronnie James Dio

Postado por: Darwinista Em: Sem categoria

10/07/1942 – 16/05/2010

Lamentável que esse tenha sido o tema do 100º post desse blog.

11 mai, 2010

Mais do que ossos

Postado por: Darwinista Em: Evolução| Paleontologia

Sabe aquela sensação que você tem quando conhece um ídolo? Um jogador do time pra quem você torce, o baterista da sua banda preferida? Quando visitei o American Museum of Natural History, em NY, senti coisa parecida. De repente, diante dos meus olhos, estavam todos aqueles fósseis fantásticos e fundamentais que recheavam meus livros da época da graduação. Meus “heróis”, a meio metro de distância.

Um dos meus fósseis favoritos sempre foi o Archaeopteryx , uma ave com traços reptilianos que ajuda a comprovar a origem evolutiva das aves a partir dos répteis. Dez  desses fósseis foram encontrados até hoje, o primeiro em 1860. Porém, pensava-se que, além de impressões das penas nas rochas, apenas a estrutura óssea desses animais havia sido preservada pelo processo de fossilização. Até hoje.

O chamado “espécime de Thermopolis”, com idade estimada em 150 milhões de anos,  foi encontrado na Alemanha, mas atualmente se encontra no Wyoming Dinosaur Center em Thermopolis, EUA. Ele foi submetido a uma análise com uma técnica especial de raios-X pelo SLAC National Accelerator Laboratory, vinculado à Stanford University. Os resultados indicaram a presença de elementos químicos que faziam parte do animal no momento do soterramento que permitiu a fossilização.

O espécime de Thermopolis

Porque a descoberta é importante? A detecção desses elementos químicos permite entender melhor como era a fisiologia do animal, auxilia na compreensão de seus hábitos e, além disso, pode estabelecer elos entre as aves atuais e as extintas, ajudando a elucidar relações de parentesco evolutivo.

Vale ressaltar que a análise com raio-X também foi feita na rocha onde o Archaeopterix foi preservado. Isso permitiu uma comparação entre os elementos químicos no fóssil e na rocha, eliminando a chance de que eles tivessem origem externa ao espécime estudado.

O artigo foi publicado em 10 de maio de 2010 na edição online da Proceedings of National Academy of Science.

09 mai, 2010

We are THE champions

Postado por: Darwinista Em: Um time

Chelsea.

O melhor ataque da história da Premiere League (103 gols).

O artilheiro do campeonato (Drogba, 29 gols).

O líder de assistências (Lampard).

Duas goleadas por 7 gols.

Uma goleada de 8 x0 no jogo decisivo.

Vitórias na ida e na volta contra TODOS os times do top three (Manchester United, Arsenal e Liverpool), algo que nunca ocorreu na Premiere League.

We are, definetely, the Champions.

08 mai, 2010

The Climate Desk

Postado por: Darwinista Em: Jornalismo científico| Mudanças climáticas

Em seu post de ontem (07 de maio) pra seu blog Ciência em Dia, Marcelo Leite deu uma boa dica: The Climate Desk. Os organizadores deste site se propõem a apresentar informações a respeito das mudanças climáticas sob os mais diversos aspectos (econômicos, políticos, ambientais etc.).

No momento em que os céticos do aquecimento global são os novos heróis e verdadeiros detentores da verdade, enquanto os que associam uma suposta ação humana às variações do clima são considerados desonestos, charlatães ou, no mínimo, inocentes úteis, vale a leitura do artigo Grapes of Wrath, que relata histórias de vinicultores americanos e europeus que têm enfrentado alguns “pequenos problemas” com esse tal de aquecimento global que, afinal de contas, não existe.

07 mai, 2010

De médico, louco e neandertal…

Postado por: Darwinista Em: Sem categoria

A edição da revista Science de 7 de maio de 2010 é daquelas pra ser guardadas como edição histórica. Ela traz o anúncio do sequenciamento completo do genoma de neandertais.

O Homo neanderthalensis é uma espécie muito próxima ao Homo sapiens. Ambos conviveram por alguns milhares de anos, e sempre se suspeitou que tivesse ocorrido procriação entre os dois grupos.

A pesquisa publicada na Science comprova que isso realmente aconteceu. Ao comparar o DNA neandertal com o de seres humanos, os cientistas envolvidos no projeto perceberam que uma pequena fração (1 a 4%) do material genético de europeus e asiáticos é neandertal.

O DNA neandertalense foi obtido a partir de ossos de fêmeas que viveram na Europa há cerca de 40000 anos. Os neandertais desapareceram a aproximadamente 30000 anos, muito provavelmente por não suportarem a competição com o H. sapiens. Desapareceram, mas deixaram sua marca genética.

O sequenciamento do genoma das três neandertais está disponível em http://www.ncbi.nlm.nih.gov/genbank/.

05 mai, 2010

Proteína ressurreta

Postado por: Darwinista Em: Sem categoria

Theodosius Dobzhanski disse que nada na biologia faz sentido a não ser à luz da evolução, o que é um fato. Parafraseando, é possível dizer que nada na biologia pode ser explicado sem utilizar a biologia molecular.

O desenvolvimento cada vez maior das técnicas de manipulação de biomoléculas tem gerado pesquisas fascinantes, como a publicada pela Nature Genetics na edição de 3 de maio de 2010. Uma equipe de pesquisadores conseguiu recriar em laboratório a hemoglobina de mamutes que viveram na Sibéria entre 25000 e 43000 anos atrás.

A hemoglobina é uma proteína encontrada no sangue de muitos animais. Ela é composta por quatro cadeias de aminoácidos e átomos de ferro, e é responsável por transportar o oxigênio, captado pelas estruturas respiratórias, para as diversas partes do corpo.

Os cientistas isolaram moléculas de DNA dos mamutes e, a partir delas, produziram segmentos de RNA. O RNA é a molécula que orienta a produção de proteínas, como a hemoglobina. É uma verdadeira ressurreição molecular.

Analisando a proteína fóssil-viva, os pesquisadores perceberam que ela apresenta características que permitiam o transporte de oxigênio mesmo sob temperaturas muito baixas, como é o caso da Sibéria.

O artigo original pode ser encontrado em http://www.adelaide.edu.au/news/news39161.html.

06 abr, 2010

Monstro

Postado por: Darwinista Em: Sem categoria

Minhas memórias futebolísticas começam em 1982, ano do primeiro título paulista da Democracia Corinthiana.

Desde essa época, vi jogadores excepcionais atuarem. Sócrates, Zico, Maradona, Van Basten, Romário, Hagi, Ronaldo, Zidane, Ronaldo Gaúcho, Kahn, Buffon… a lista é interminável. De todos esses, o que mais me encheu os olhos foi Zidane. Eu me atreveria a dizer que, junto com Ronaldo, foi o maior jogador que eu vi jogar. Até hoje.

Nesse dia 06 de abril de 2010, percebi que sou um felizardo. Estou testemunhando, ainda que pela TV, um momento mágico, único da história do futebol. Lionel Messi é algo difícil de descrever. É mais que gênio. É um monstro. É, definitivamente, o maior jogador que ja vi. Ele vai ser maior que Maradona. E, mesmo que não seja esse ano, vai levar a Argentina a um campeonato mundial, é inevitável.

Se Maradona é deus, Messi deve ser a própria existência.