19 jul, 2009
Os 400 anos do mensageiro das estrelas: Galileu Galilei
Posted by: Darwinista In: Ciências exatas
Por Leonardo Lago
Na edição de junho da revista Scientific American Brasil, que ainda pode ser encontrada nas bancas, nos brinda com um pequeno e valioso presente, um livreto com a tradução do livro Sidereus Nuncius, ou O Mensageiro das Estrelas, de Galileu Galilei (1564-1642), publicado em março 1610.
Este presente faz parte das comemorações do Ano Internacional da Astronomia, em homenagem ao cientista italiano, e também do sétimo aniversário da revista. A obra que acompanha a revista foi publicada originalmente em 1987 pelo Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast).


Neste pequeno livro Galileu apresenta parte de seus resultados das observações feita através de lunetas de sua própria construção. Digo somente parte se seus resultados, pois discorre sobre a Lua, nosso satélite natural, as estrelas fixas e as luas do planeta Júpiter, não se referindo, por exemplo, às fases do planeta Vênus. O livro vale a leitura, em minha opinião, principalmente por termos em mãos um texto original de um cientista que marca a história da Ciência contribuindo para a construção de uma nova concepção de mundo. É bom lembrar que na época, o modelo geocêntrico, para a explicação dos movimentos planetários e a concepção de mundo de Aristóteles eram aceitas como verdades absolutas e defendidas por importantes filósofos e também pela igreja.
É muito comum alguns livros didáticos e outros meios de divulgação científica creditarem aos trabalhos de Galileu a “queda” da visão de mundo vigente na época, mas isso não é bem verdade. De fato, ele ataca alguns dos pilares do modelo aristotélico, mas não consegue negá-lo por completo. Galileu conseguiu constestar, com argumentos presentes no prório Mensageiro das Estrelas, as verdades aristótelicas que pregavam que o mundo “além” da Terra era perfeito e que todos os astros giravam ao seu redor.
No livro, Galileu mostra que a Lua não é perfeita, mas apresenta montanhas e depressões, tal como a Terra, conseguindo, inclusive, estimar o tamanho de algumas montanhas utilizando o tamanho de suas sombras. Ao observar astros ao redor do planeta Júpiter, que agora sabemos se tratar de luas, ele coloca em cheque a importância central da Terra, mostrando que existem astros que não orbitam ao seu redor. Mas mesmos com esses argumentos, não podemos decidir por um modelo geo ou heliocêntrico. A queda do sistema aristotélico ocorre fundamentalmente apenas com os trabalhos de Johannes Kepler e Issac Newton. Enfim, esse movimento entre as concepções geo ou heliocêntrico como modelos explicativos de mundo é um dos períodos mais ricos e intensos da história da Ciência.
Gostaria de encerrar o post agradecendo ao Darwiniano o convite para escrever no blog e parabenzá-lo na abertura deste canal de divulgação científica e debates democráticos. Fica assim registrado o convite à leitura do livreto de Galieu e, para quem se entusiasmar, lembrem que temos em mãos um texto original que relata observações e descobertas com 400 anos de idade que contribuiram muito para a nossa concepção atual de Universo.
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Leonardo Lago é físico e astrônomo pela Universidade de São Paulo, professor e consultor de projetos em educação científica e material educativo.
