Uma das coisas mais bacanas da Ciência é que ela está constantemente se reinventando. Novas descobertas, novas explicações, a todo momento um grupo de cientistas aparece com informações que podem reforçar ideias ou virar tudo de pernas pro ar. Um exemplo interessante pode ser encontrado na edição de hoje da Current Biology.
Mesmo quem não lembra muito bem das aulas de biologia na escola sabe que o sexo é determinado fundamentalmente pelo material genético presente nos cromossomos sexuais. Em várias espécies, incluida aí a nossa, os cromossomos sexuais são de dois tipos, X e Y. Machos são XY, fêmeas são XX.
Porém, já se sabia há algum tempo que em algumas espécies de répteis a temperatura ambiente também pode influenciar o sexo dos filhotes. Se em uma determinada etapa do desenvolvimento a temperatura estiver abaixo de um certo ponto crítico, o sexo do filhote é, por exemplo, masculino. Se, ao contrário, a temperatura for mais alta que a do ponto crítico, o filhote será fêmea.
Mas uma equipe de pesquisadores das Universidades de Sidney e de Canberra (Australia) descobriu um terceiro fator que pode determinar o sexo dos pequenos répteis: o tamanho do ovo! Pra ser mais exato, a quantidade de gema acumulada no ovo, o que acaba interferindo no tamanho.
A descoberta, por enquanto, se relaciona apenas ao lagarto da espécie Bassiana duperreyi, encontrado no sudeste da Austrália (clique aqui pra ver o bicho). Ovos com mais vitelo (a substância nutritiva que alimenta o embrião dentro do ovo, a popular gema) e, consequentemente, maiores, tendem a gerar lagartos fêmeas, enquanto os ovos menores geram machos.
(Clique aqui para ler o resumo do artigo)
A suspeita é que alguma substância presente no vitelo, provavelmente um hormônio sexual, influencia a determinação sexual. Ao produzir os ovos, a fêmea controlaria a quantidade de vitelo em cada ovo, regulando assim a taxa de machos e fêmeas em cada ninhada.
A chance de se encontrar esse mecanismo em outros répteis é grande. Assim como é sempre grande a chance de termos que reconsiderar tudo que sabíamos até então sobre a natureza. É aí que reside a beleza da Ciência: isso não é motivo de frustração. É motivo pra se renovar.
