(a partir de uma dica de Leonardo Lago)
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) lançou uma cartilha, produzida por Ziraldo, chamada Produtos Orgânicos – O Olho do Consumidor. A ideia da publicação, entre outras coisas, é explicar ao consumidor leigo o que são produtos orgânicos, porque eles são mais interessantes e como identificá-los.
A primeira coisa incômoda na cartilha é a chancela que o Governo Federal confere a um termo, a meu ver, inadequado. Afinal, o alface cheio de agrotóxicos e o frango criado em condições estúpidas são feitos de moléculas com átomos de carbono e hidrogênio. Logo, são orgânicos também.
Mas há um trecho ainda mais problemático, e que vem gerando polêmica:
O agricultor orgânico não cultiva transgênicos porque não quer colocar em risco a diversidade de variedades que existem na natureza.
De cara, isso significa que o Governo Federal escolheu um lado no debate sobre os OGMs (organismos geneticamente modificados): eles são perigosos para o ambiente, e não devem ser cultivados. É curioso, já que o governo Lula foi bastante condescendente com a soja transgênica.
Além disso, a cartilha parte do princípio que todos os que cultivam os tais “produtos orgânicos” são bastante atualizados em relação ao assunto e, assim, como o Governo Federal, escolheram de que lado ficar.
Mas o mais complicado nessa história é que ainda não existe consenso na comunidade científica quanto aos prejuízos ambientais que o cultivo de transgênicos possam causar. Há pesquisas com resultados para todos os gostos.
Inserir uma afirmação dessas em uma publicação para o público leigo, portanto, é irresponsável, pra dizer o mínimo. E aparentemente o MAPA percebeu isso, já que o link para o download da cartilha não existe mais no site do Ministério (o que não significa que você vai ficar na curiosidade: clique aqui para ler a cartilha).
Aliás, há uma história percorrendo a rede que atribui a pressões da Monsanto, uma das maiores empresas produtoras de OGMs, a retirada do link para a cartilha, o que vem sendo negado pela própria empresa. Clique aqui para ler a nota de esclarecimento divulgada por ela.
