Darwiniano

15 mai, 2009

Mudanças climáticas – o debate (1)

Posted by: Darwinista In: Debate| Mudanças climáticas

Acabo de receber a primeira contribuição para nosso debate a respeito das mudanças climáticas, enviada pelo Pablo Villarnovo. É um artigo de Syun-Ichi Akasofu, pesquisador da University of Alaska Fairbanks.

Como combinado, segue o resumo do trabalho (por ora apenas em inglês) e o link  para o artigo completo. Mas antes, um esclarecimento. Um comentário muito pertinente do André Monsores me levou a mudar a tag Aquecimento global para Mudanças climáticas. Realmente, é mais adequado.

Two Natural Components of the Recent Climate Change:

(1) The Recovery from the Little Ice Age

(A Possible Cause of Global Warming)

and

(2) The Multi-decadal Oscillation

(The Recent Halting of the Warming)

Syun-Ichi Akasofu

International Arctic Research Center

University of Alaska Fairbanks

Fairbanks, Alaska

Abstract

Two natural components of the currently progressing climate change are identified. The first one is an almost linear global temperature increase of about 0.5°C/100 years, which seems to have started in 1800–1850, at least one hundred years before 1946 when manmade CO2 in the atmosphere began to increase rapidly. This 150~200-year-long linear warming trend is likely to be a natural change. One possible cause of this linear increase may be the earth’s continuing recovery from the Little Ice Age (1400~1800); the recovery began in 1800~1850. This trend (0.5°C/100 years) should be subtracted from the temperature data during the last 100 years when estimating the manmade contribution to the present global warming trend. As a result, there is a possibility that only a small fraction of the present warming trend is attributable to the greenhouse effect resulting from human activities.

It is also shown that various cryosphere phenomena, including glaciers in many places in the world and sea ice in the Arctic Ocean that had developed during the Little Ice Age, began to recede after 1800 and are still receding; their recession is thus not a recent phenomenon.

The second one is oscillatory (positive/negative) changes, which are superposed on the linear change. One of them is the multi-decadal oscillation, which is a natural change. This particular natural change had a positive rate of change of about 0.15°C/10 years from about 1975 (positive from 1910 to 1940, negative from 1940 to 1975), and is thought by the IPCC to be a sure sign of the greenhouse effect of CO2. However, the positive trend from 1975 has stopped after 2000.

One possibility of the halting is that after reaching a peak in 2000, the multi-decadal oscillation has begun to overwhelm the linear increase, causing the IPCC prediction to fail as early as the first decade of the 21st century.

There is an urgent need to correctly identify natural changes and remove them from the present global warming/cooling trend, in order to accurately and correctly identify the contribution of the manmade greenhouse effect. Only then can the effects of CO2 be studied quantitatively. Arctic research should be able to contribute greatly to this endeavor.

Artigo completo em http://people.iarc.uaf.edu/~sakasofu/pdf/two_natural_components_recent_climate_change.pdf

15 Comentários to "Mudanças climáticas – o debate (1)"

1 | Paulo Roberto Silva

maio 15th, 2009 at 15:01

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Interessante esta questão entre Mudanças Climáticas e Aquecimento Global. O governo Bush trabalhou fortemente para incultar a expressão mudanças climáticas ao invés de aquecimento global. Afinal, a mudança não implicaria necessariamente aquecimento, pode ser esfriamento.

2 | Darwiniano

maio 15th, 2009 at 15:12

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Paulo Roberto (15:01):
A ideia é justamente não parecer parcial. Os que acompanham meus comentários no Pedro Doria sabem do meu posicionamento, mas quero que o espaço aqui seja o mais isento possível. É aí que me parece ser mais adequado o Mudanças climáticas.

3 | confettia*

maio 15th, 2009 at 15:29

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oh my…it’s ease to read it from here…))

winis, email, reply a.s.a.p.

4 | confettia*

maio 15th, 2009 at 15:30

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( I know, only when arriving home…))

5 | Darwiniano

maio 15th, 2009 at 15:33

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confettia* (15:30):
Yep!

6 | Pablo Vilarnovo

maio 15th, 2009 at 15:41

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Esse mesmo pesquisador havia enviado uma carta ao IPCC justamente comentando sobre as diferenças entre Aquecimento Global e Mudanças Climáticas. Em português de Portugal seguem as onze recomendações enviadas ao IPCC:

“1. Definir [correctamente] alteração climática [singular], aquecimento global e efeito de estufa antropogénico, explicitando [à opinião pública] que estes termos não são sinónimos. (Quem utiliza estes termos como sinónimos não sabe o que está a dizer).

2. Exigir aos media para acabar com a apresentação de reportagens que mostram grandes derrocadas de blocos de gelo nas extremidades de glaciares e que mostram as retracções do gelo do Árctico na Primavera, como se fossem provas do efeito de estufa antropogénico. (Os glaciares são, de facto, ‘rios de gelo’ com escoamento natural e com derrocadas normais na Primavera; todos estes acontecimentos se repetem desde tempos geológicos [imemoriais]). [Atenção sr. Provedor dos Telespectadores da RTP!]

3. Exigir aos media para acabar com as reportagens do colapso de casas construídas em cima de premafrost (solo gelado) como se fosse resultante do efeito de estufa antropogénico. (O colapso é devido a uma construção inadequada que derrete a estrutura do premafrost subjacente pelo calor desenvolvido na própria habitação). [Atenção srs. directores de jornais, de estações de rádio e de TV!]

4. Informar que o gelo do Árctico não é uma simples placa de gelo. (A área coberta pelo gelo árctico altera-se consideravelmente devido a correntes atmosféricas e oceânicas e não pela fusão).

5. Chamar a atenção para o facto de que os fenómenos meteorológicos extremos, pouco comuns [cheias, secas, ciclones tropicais, incêndios], não estão directamente relacionados com o efeito de estufa antropogénico. (O efeito de estufa antropogénico representou um ligeiro aumento de temperatura ao ritmo de 0,6 ºC/século).

7. Dar a conhecer que a evolução recente do aquecimento não é inusual ou anormal à luz das variações das temperaturas do passado. (Houve períodos mais quentes do que no presente que se mantiveram durante centenas de anos no actual período interglacial que começou há 10 mil anos).

9. Acabar com as reportagens dos media que dizem que o nível do mar já subiu vários metros nos últimos 50 anos. (De acordo com o relatório do IPCC de 2007 a taxa de subida foi de 1,8 mm/ano, ou seja, a subida foi de 9 cm nos últimos 50 anos). [Na realidade foi de apenas 1,3 mm/ano]. [Atenção srs. directores de jornais, de estações de rádio e de TV!]

11. Encorajar os media a não relatar descobertas sensacionalistas que podem reflectir apenas a opinião de um ou de alguns cientistas. (Os jornalistas que não estão familiarizados com os fenómenos do Árctico tendem a descrever os fenómenos naturais como se fossem excepcionais). [Atenção srs. directores de jornais, de estações de rádio e de TV!]”

Fonte: retirado do blog Mitos Climáticos (http://mitos-climaticos.blogspot.com/)

7 | Darwiniano

maio 15th, 2009 at 15:58

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Pablo (15:41):
Esse blog, Mitos Climáticos, é realmente muito interessante. Vale a leitura.

8 | Pablo Vilarnovo

maio 15th, 2009 at 16:03

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Vale sim. Sim, é um blog de um crítico da teoria carbono x temperatura. Mas é escrito por um climatologista. Sabe do que está falando. Tem embasamento científico. E a linguagem que ele utiliza é de fácil compreensão para não iniciados.

9 | Darwiniano

maio 15th, 2009 at 16:06

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Pablo (16:03):
Pois é, esse é o tipo de debate que eu quero fomentar aqui. Com embasamento e qualidade, independentemente da posição defendida.

10 | Pablo Vilarnovo

maio 15th, 2009 at 16:16

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E o fato também de ser em portugês ajuda muito…

11 | Paulo Roberto Silva

maio 15th, 2009 at 17:41

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O interessante da proposta do Pablo é que, ao tentar desvincular o aquecimento global da questão ambiental, não abre mão de se batalhar por políticas ambientalmente corretas e por tecnologias eficientes.

12 | marco

maio 15th, 2009 at 23:24

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Aí está Darw, minha modestísima contribuição para o debate, com fontes.

Mudança climática seria flagelo do século 21, diz estudo
15 de Maio de 2009
Por AE
São Paulo – Nem aids nem gripe suína. A maior ameaça para a saúde no século 21 são as mudanças climáticas, que trarão ondas de calor, falta de alimento e, para países tropicais como o Brasil, um avanço da malária, cólera e da dengue. A solução não está apenas em reduzir as emissões de CO2, mas tirar milhões da pobreza e mudar o padrão de vida da camada mais rica. Pesquisa da revista The Lancet e da University College de Londres alerta que as maiores vítimas serão os pobres, mesmo que não sejam os maiores poluidores.
Sistemas de saúde de muitos países poderão ser colocados sob alta pressão e alguns até entrariam em colapso. A “injustiça social” da questão climática é um dos focos do alerta. Segundo o estudo, essa desigualdade será “uma fonte de vergonha histórica para nossa geração se nada for feito”. O texto diz que “os ricos verão que estão vivendo em um mundo mais caro, inconveniente, desconfortável e mais imprevisível. Os pobres morrerão”.
A pesquisa diz que as previsões de alta na temperatura são conservadoras e indica que uma elevação de 2°C já seria desastrosa. Entre 260 milhões e 320 milhões de pessoas a mais do que o normal seriam afetadas pela malária até 2080. Na África, a elevação de 1°C multiplicaria por dez o número de mosquitos. A dengue seguiria padrão similar e doenças como esquistossomose e leishmaniose também cresceriam. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

14 | Darwiniano

maio 17th, 2009 at 21:16

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marco #12,
Valeu pela contribuição!

15 | Darwiniano

maio 17th, 2009 at 22:38

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Gerson B #13,
Não tinha lido ainda esse texto, é bem interessante. Valeu pela dica!

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