A edição de maio da Revista Pesquisa Fapesp traz uma reportagem de Carlos Fioravanti com boas notícias sobre a Mata Atlântica.
Em primeiro lugar, novas técnicas de medição mostram que a porcentagem de cobertura vegetal preservada pode ser de aproximadamente 17 %, e não de 7 % como se pensava. Ainda é pouco, mas indica que a situação é um pouco menos grave.
Outra boa nova é o estabelecimento do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, que pretende “recuperar 15 milhões de hectares de florestas até 2050″. Por trás do Pacto estão ONGs, empresas e universidades.
Para alcançar essa meta, os envolvidos no projeto pretendem trabalhar em conjunto com proprietários de terras onde se encontram trechos de floresta. A ideia é recuperar áreas de baixa produtividade pecuária e demonstrar aos donos desses terrenos que eles podem conseguir maiores lucros com a preservação. Diz a reportagem:
“Dos 15 milhões de hectares a serem restaurados, 8 milhões são pastos de baixa produtividade”, diz Ricardo Rodrigues, coordenador da equipe que elaborou o conjunto de técnicas de restauração a serem adotadas no pacto, com base em seu trabalho à frente do Laboratório de Restauração Florestal (Lerf) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP) em Piracicaba, interior paulista. “Se tirar os bois e incentivar o crescimento das matas, o proprietário rural pode ganhar três ou quatro vezes mais do que com a pecuária, ou ainda mais se agregar serviços ambientais como créditos de carbono.”
E é justamente nesse ponto que surge uma dúvida: se o convencimento para preservação passa por argumentos econômicos, como garantir que os proprietários das terras manterão o comportamento preservacionista a longo prazo? Se nos próximos anos surgirem técnicas que permitam a exploração de uma área permitindo lucros maiores que os obtidos com a conservação, o que impediria a reconfiguração dos trechos recuperados em pastos, por exemplo?
Um outro trecho da reportagem pode fornecer algumas pistas:
Apenas o cumprimento da lei poderia ampliar bastante a Mata Atlântica, lembra Calmon. O problema, ele reconhece, é que os proprietários rurais geralmente não gostam de deixar 20% de suas terras com vegetação nativa, a chamada reserva legal, mas resistem menos em preservar ou recompor as matas ciliares, também obrigatórias por lei. “Os produtores rurais sabem que as matas ciliares são importantes”, diz ele, porque preservam rios e evitam a erosão dos solos. Rodrigues acrescenta: “Poucos sabem que a reserva legal pode ser utilizada para produzir madeira, mel, frutas e outros produtos da floresta”.
A ver, torcer e acompanhar.
