O cara é apaixonado por uma garota. Pra conquistá-la, arma uma situação em que ela fica aparentemente em perigo. Então, num “golpe de sorte”, aparece o herói pra salvar a mocinha. Ela se encanta pelo salvador e se rende a seus braços. No cinema, costuma funcionar. Na vida real? Não sei se as mulheres de hoje costumam cair nessa, mas com fêmeas de antílopes topi as chances são boas.
Os topi (Damaliscus lunatus ) são mamíferos africanos que, como várias outras espécies, possuem códigos vocais para sinalizar aos membros do bando diversas situações, como a presença de predadores. Os cientistas Wiline Pangle, da Ohio State University , e Jakob Bro-Jørgensen, da University of Liverpool , descobriram que machos topi podem emitir alertas falsos para aumentar as chances de cruzar.
O embuste não é uma mera sacanagem. As fêmeas topi ficam no cio apenas um dia por ano. Nesse dia, elas vagam por diversos territórios e cruzam diversas vezes com diferentes machos.
Ora, qual é a maior evidência de que um indivíduo é bem sucedido de acordo com as “leis” da seleção natural? Ele deve sobreviver pelo maior tempo possível e gerar o maior número de descendentes que puder (nisso se resume a vida: procriar. Esse assunto ainda vai gerar um post). Quanto mais bem adaptado é o indivíduo, mais ele se reproduz.
O que faz o macho topi? Quando percebe que a fêmea no cio está deixando seu território (para procurar outros machos), ele emite o alerta que indica a presença de um predador. A fêmea recua com medo, e o macho aproveita a situação pra fazer mais uma investida. Em outras palavras, ele aumenta a chance de passar seus genes para uma nova geração. Esperto, não?
O estudo que demonstrou esse comportamento foi realizado entre 2005 e 2009, e contou com a observação de 73 fêmeas. Ele pode ser lido na íntegra aqui.
