O portal UOL está publicando nesses dias uma série especial sobre os 20 anos da primeira votação para presidente da República pós-ditadura militar.
Uma das matérias traz uma coletânea em vídeo com os principais jingles dos principais candidatos – que eram muitos por sinal (clique aqui pra assistir). Estão lá o irritante “lálálálálá Brizola”, Ulysses Guimarães tentando cativar o eleitorado com a condição de velhinho, Tião Macalé pedindo voto pro Affonso Camargo (“é pra votar no home, cambada de nojento!”) e até a inacreditável campanha de Silvio Santos.
Mas é claro que o ponto alto da coletânea é Lula-lá, um dos melhores jingles eleitorais já compostos. O clipe foi tirado da campanha do segundo turno, mostrando famosos e anônimos agrupados no estilo USA for Africa, muitos deles derivados da campanha de Brizola.
Eu não sou muito chegado a saudosismos, mas assistir ao clipe desse jingle me fez ter saudade desse tempo em que a esperança era extraordinariamente grande. Como também era grande a vontade de romper com o passado verde-oliva, com os terríveis anos sarney (o minúsculo é proposital), de colocar o futuro nas mãos dos que combateram a ditadura.
Naquele segundo turno todos éramos Lula. Não havia Brizola, Covas ou Ulysses. Havia o povo que sonhava com rumos diferentes. O povo fazendo o L com os indicadores e polegares, o povo cantando nos comícios, o povo indignado com a edição nojenta do debate no Jornal Nacional.
Depois, claro, tudo mudou. Lula virou “paz e amor”, associou-se aos sarneys, renunciou ao passado de “bravatas”, jogou nossa esperança no lixo. Mas há 20 anos atrás, artistas renomados não tinham medo de mostrar de que lado estavam, votar era uma ato ansiado de liberdade, e não uma imposição cretina, e a divisão entre o bem e o mal era muito nítida.
Hoje, tudo é mal. Tudo é cinza, nebuloso. 1989, infelizmente, acabou.
