A beleza do Parque Nacional Grande Sertão Veredas é difícil de descrever. As fotos que ilustram esses posts, apesar de excelentes, não conseguem mostrar todo o impacto visual que aquele pedação de cerrado provoca.

Casal de araras-canindé sobrevoa a cabeça do blogueiro (crédito: Luciano Abel)
Mas além de apreciar as belezas naturais, há uma coisa que nenhum visitante dos Parques pode deixar de fazer: conversar com a gente do local.
Uma das coisas que ouvi de forma recorrente nesse meu percurso por Parques de Minas Gerais foi que, em geral, a demarcação e o estabelecimento dessas unidades de conservação são feitos de modo arbitrário. Pouco se leva em conta o impacto que as reservas causarão aos moradores da região.
Alguns relatos impressionam. Dentro do Grande Sertão Veredas ainda existem pessoas habitando suas casas, cultivando uma rocinha e criando umas poucas cabeças de gado. Pois é, dentro de um Parque Nacional. Porque eles ainda moram lá? Simples: até agora não receberam a indenização pela desapropriação de suas terras.
Não à toa, é muito comum que os nativos da região desenvolvam uma animosidade contra os Parques e seus responsáveis diretos ou indiretos (entenda-se Ibama e Instituto Chico Mendes).
A forma como os chefes dos Parques são escolhidos ajuda a piorar a situação. Basta um diploma de curso superior e um bom desempenho em um concurso, e lá está você com um Parque Nacional pra administrar. Surgem daí aberrações como chefes de Parques formados em… odontologia!
Além disso, ouvi de várias pessoas que os concursados, quando são enviados para lugares distantes de onde gostariam de morar, forçam suas transferências. Uma das maneiras de fazer isso é arranjando encrenca com os já desgostosos vizinhos dos Parques. Essa é, como ouvi em relatos, uma das causas de certos incêndios criminosos que ocorrem esporadicamente nessas unidades de conservação.
(continua)
