Darwiniano

16 nov, 2009

Empurrando com a barriga

Posted by: Darwinista In: Sem categoria

Agora é definitivo. A COP 15, conferência que visava produzir um acordo substituto ao moribundo Protocolo de Kyoto, será pouco mais que uma reunião de comadres políticos para um café.

O presidente dos EUA, Barack Obama, declarou, em conjunto com outros líderes, que é impossível tecer um acordo de cumprimento obrigatório em dezembro. Um dos motivos é a dificuldade do presidente americano em negociar com seu congresso.

Isso significa que o problema será empurrado com a barriga para a conferência do clima, que acontecerá no México em dezembro de 2010. Alguma dúvida de que, até lá, o avanço será pequeno?

Enquanto isso, a última edição da Science traz um artigo indicando que o degelo da Groenlândia está acelerando. Um fenômeno meramente circunstancial? Tomara.

4 Comentários to "Empurrando com a barriga"

1 | Nat

novembro 19th, 2009 at 13:18

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Darw, vc já tinha comentado que a Dilma estava querendo frear a nossa meta de 40% de redução da emissão do CO2. No entanto, a meta apresentada pelo Brasil continuou ambiciosa, em torno desses mesmos 40%.

Já no anúncio dos EUA, de não proporem uma meta, o próprio governo reconheceu que estava decepcionado mas não surpreso com a decisão dos EUA e China de não anunciarem metas para a redução de CO2.

Eu te pergunto, foi uma jogada política, no sentido de que se os EUA e China não anunciaram metas (o que já era do nosso conhecimento) os acordos não servirão pra nada e o Brasil poderá nem tentar chegar perto dos 40%, mantendo o desenvolvimento e ainda assim posando de bons moços pro exterior, ou ainda haverá um documento sério que sairá dessa COP 15, impossibilitando o Brasil de descumprir vergonhosamente o plano?

2 | Anrafel

novembro 24th, 2009 at 12:14

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Jogada política ou não, o contexto é esse. Metas ambiciosas trazem em si a justificativa para não cumpri-las. Independente de um suposto autoritarismo de Dilma ou da capacidade de Lula dizer uma coisa e fazer outra, a verdade é que no governo é hegemônica a posição de que o ambientalismo não pode frear o processo de desenvolvimento que já foi freado pela crise financeira. O episódio da demora na liberação do relatório ambiental na construção das hidrelétricas é emblemático nessa queda-de-braço. Os governos dos países emergentes têm a concepção de que se os desenvolvidos pintaram o sete ambientalísticamente, beneficiados pela quase inexistência do movimento, eles, mesmo sofrendo pressões de todo lado, têm o direito de queimar alguma gordura (se é que ainda existe essa gordura). A luta não é só entre correntes científicas. Alguns países acham que podem chegar perto de outros e não vêem métodos parecidos com os já utilizados, com as limitações e aperfeiçoamentos decorrentes.

3 | Anrafel

novembro 26th, 2009 at 2:01

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Os Estados Unidos anunciaram uma meta de 17%. Isso já representa grande avanço em relação a Kyoto. Isso deve mudar em alguma coisa o contexto político. A proposta brasileira (40%) tem na redução em 80% do desmatamento da Amazônia uma participação de 20%. O prazo é para 2020 e Dilma enfatizou que isso se dará através de “ações voluntárias e mensuráveis visando um crescimento anual do PIB de entre 4 e 6%”. Ou seja, se a meta é ambiciosa (o que em si já justifica o seu descumprimento) o crescimento do PIB não é nenhuma Brastemp chinesa.

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