Seres humanos são cheios de sonhos. Viver mais e ser magro certamente são dois dos mais populares. Se você compartilha desses sonhos, talvez eu tenha boas notícias.
Não é de hoje que pesquisadores tem demonstrando uma forte ligação entre uma dieta pouco calórica e uma maior expectativa de vida. Camundongos, peixes e até leveduras já passaram por experimentos que indicaram essa tendência.
E agora, mais uma pista pra elucidar esse mecanismo surgiu, a partir de pesquisas com um dos popstars dos laboratórios mundo afora, o nematódeo C. elegans (clique aqui para ver uma foto do verme).
O estudo, publicado online na Nature, no dia 24 desse mês, descreve a ação de duas enzimas desse verme que atuam no controle da ingestão alimentar. A atividade dessas moléculas diminui a quantidade de alimento que o C. elegans ingere, mas também estão fortemente relacionadas com a quantidade de dias que o animalzinho vive.
Já se sabia que alterações no gene responsável pela produção de uma das enzimas, o wwp-1, provocavam uma redução na quantidade de dias que o verme vivia. O artigo, produzido por uma equipe do The Salk Institute for Biological Studies na California, mostrou que uma outra enzima, a UBC-18, atua em conjunto com a WWP-1 na regulação da ingestão alimentar. Ou seja, quando as duas enzimas estão presentes, o C. elegans come menos e vive mais.
O interessante é que esse caminho metabólico também existe em humanos. É evidente que muitas pesquisas ainda precisam ser feitas pra confirmar a validade do achado pra nossa espécie, mas tudo indica que se fecharmos um pouco a boca, podemos ganhar uns bons meses de vida.
Mas quem, como eu, tem dificuldades em controlar o ímpeto de avançar sobre uma torta de morango ou uma travessa de berinjela à parmegiana, não precisa desanimar. Já se especula que essas pesquisas possam levar à produção de substâncias que enganem esse mecanismo regulatório. Assim, poderíamos evitar as dietas de modelos de passarela e ainda assim conquistar os benefícios de longevidade que essa via metabólica oferece. Saúde!
(Para ler o resumo do artigo, clique aqui.)
