Darwiniano

05 nov, 2009

Calligaris e o caso UNIBAN

Posted by: Darwinista In: Sem categoria

Na Folha de São Paulo de hoje, Contardo Calligaris faz uma ótima análise sobre o caso da corja da UNIBAN. Seguem dois trechos:

Entre esses boçais, houve aqueles que explicaram o acontecido como um “justo” protesto contra a “inadequação” da roupa da colega. Difícil levá-los a sério, visto que uma boa metade deles saiu das salas de aula com seu chapéu cravado na cabeça.
Então, o que aconteceu? Para responder, demos uma volta pelos estádios de futebol ou pelas salas de estar das famílias na hora da transmissão de um jogo. Pois bem, nos estádios ou nas salas, todos (maiores ou menores) vocalizam sua opinião dos jogadores e da torcida do time adversário (assim como do árbitro, claro, sempre “vendido”) de duas maneiras fundamentais: “veados” e “filhos da puta”.

(…)

Quanto a “filho da puta”, é óbvio que ninguém acredita que todas as mães da torcida adversa sejam profissionais do sexo. “Puta”, nesse caso (assim como no coro da Uniban), significa mulher licenciosa, mulher que poderia (pasme!) gostar de sexo.
Os membros das torcidas e os 700 da Uniban descobrem assim um terreno comum: é o ódio do feminino -não das mulheres como gênero, mas do feminino, ou seja, da ideia de que as mulheres tenham ou possam ter um desejo próprio.
O estupro é, para essas turbas, o grande remédio: punitivo e corretivo. Como assim? Simples: uma mulher se aventura a desejar? Ela tem a impudência de “querer”? Pois vamos lhe lembrar que sexo, para ela, deve permanecer um sofrimento imposto, uma violência sofrida -nunca uma iniciativa ou um prazer.

O artigo completo pode ser lido aqui (pra assinantes UOL).

14 Comentários to "Calligaris e o caso UNIBAN"

1 | HRP FASTER!

novembro 5th, 2009 at 8:31

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SENSACIONAL A COLUNA DO CARA……FAÇO MINHAS SUAS PALAVRAS!

2 | HRP FASTER!

novembro 5th, 2009 at 9:13

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Uma sugestão ecologica para todos e em especial para o dono do blog:
http://www.oeco.com.br/

3 | Paulo Roberto Silva

novembro 5th, 2009 at 9:16

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O ponto crítico desta história da Uniban é que a maioria dos alunos que cravaram a marca de “puta” na estudante provavelmente mantém uma vida sexual tão ou mais ativa que ela. Logo, se isto é um problema para eles, esta seria uma ótima oportunidade para revisarem a própria vida, ao invés de apontar o dedo acusador à outra. Se não é um problema para eles, não poderiam acusá-la de nada.

4 | HRP FASTER!

novembro 5th, 2009 at 9:39

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Sem falar muito sério, eu acho que a maioria não tem vida sexual, e sim, pensam que tem!

5 | Nhé!

novembro 5th, 2009 at 11:42

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Interessante o ponto de vista do calligares. É tudo uma questão de séquisso.

6 | nada será como antes

novembro 5th, 2009 at 15:04

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Não sou assinante do UOL e só li esta parte do artigo que, no entanto, parece bastante freudiana (e traços lacanianos), como de resto é a posição prioritária de CC.

Concordo com HRP, de que os bárbaros em questão pensam que têm alguma vivência sexual.

Mas insisto, como escrevi no post anterior, que a corja é infantilizada e, talvez por isso, os impropérios têm marcada ênfase sexual. O ódio ao feminino, tal como Caligaris apresenta, é concepção maldosa, porém mais elaborada do que as mentes daqueles infelizes poderiam arquitetar.

7 | Fabio M

novembro 5th, 2009 at 17:56

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O texto completo pra quem não é assinante UOL:
http://docs.google.com/View?id=dcwmpms6_5dx2gtffc

Concordo com o Nada quando disse que a corja é infantilizada. Mas não creio que isso seja incompatível com a misoginia mencionada pelo Contardo Calligaris. A infantilização é um processo que já está disseminado nas sociedades.

Poucas sociedades são tão infantis quanto a norteamericana e a brasileira. Festas de 15 anos, que antes serviam para apresentar uma mulher à sociedade (adulta), hoje são uma mistura de musical da Disney com parque de diversões. Ninguém sabe mais nada. Ninguém sabe mais nada de sexo. Para tudo há de se recorrer a especialistas. Personal isso, aquilo. A um século, um cara casava-se aos 22 anos com uma moça de 17, 18, 19 anos e ambos iam se virar. Caiam no mundo. Hoje há manual de instruções pra tudo. Marmanjão de 30 e tantos anos que não sai da casa da mãe, rapaziada pós-adolescente com gosto nerd (nada contra nerds, afinal eu quase sou um) pra música, filme e video-game.
Nós já vivemos numa época sem adultos, todos com um bando de babás pra tudo. Mas nem por isso menos misógina.

8 | churruminos

novembro 6th, 2009 at 17:17

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Fabio M.

Concordo que a sociedade norteamericana esta infantilizada. Mas tem um detalhe, estudo aqui na Florida e TODAS as menininhas vem para a faculdade de shortinho e nao vejo nenhum babaca fazendo o que fizeram na UNIBAN. Acho que o ocorrido nao se trata da infantilidade, sim preconceito.
Temos que lembrar que os “estudantes” universitarios do Brasil nao tiveram uma educacao decente na escola e vao para a faculdade achando que um “4 ano de colegial”. Isso pq se vc passar na porta dessas universidades particulares e esquecer o se RG na porta vc esta matriculado.
Infelizmente a maioria desse “Estudantes” acham que estao em um clube, nao em uma instituicao de ensino.

9 | Isolda Natividade

novembro 7th, 2009 at 12:40

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certo..pelo visto a pornocultura chegou ao Brasil,a ponto de ser defendido o direito da mulher de ser um objeto….só fico me perguntando porque os homens nunca se vestem de forma sexualizada,nunca vão de shortinhos curtos para universidades como foi citado acima.O senso comum hoje aprova e incentiva esta vulgarização em massa com discursos pseudo-libertários.só gostaria de saber se os indivíduos que as defendem gostariam de ver suas filhas e mulheres vestidas de tal forma.Não tem nada de “infantilidade” neste contexto.Puro contrasenso: muita de nós reclama que são vistas como objetos mas se acham no direito de ser objetos.Asim,fica impossível sermos considereadas seres-humanos….curisos é que a maioria é homem defendendo este “direito nosso”

E sobre os EUA: é campeão mundial de estupro justamente por ter estasponocultura pratrocinada pelas mulheres.

10 | Nhé!

novembro 7th, 2009 at 20:12

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A moça foi expulsa da faculdade. Tem gato na tuba aí, não é possível!

11 | churruminos

novembro 8th, 2009 at 0:33

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11#
Mostre-me os dados (estatisticos) de onde vc tirou que existe mais estupro nos EUA do que nas periferias de RJ e SP…

12 | churruminos

novembro 8th, 2009 at 0:34

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ops…9#

13 | nada será como antes

novembro 8th, 2009 at 23:36

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Isolda (9),

Seu comentário, apesar de desejar o inverso, reforça a noção de que as vestes de uma mulher insinuam disponibilidade sexual e/ou a condição de objeto.

O que você chama de “vulgarização em massa”, ao se referir aos shortinhos ou vestes similares, constitui direito de uso por qualquer pessoa, homem ou mulher, notadamente em climas quentes, sem que isso autorize suposições e facilidades a terceiros.

Pela sua linha de raciocínio, “in extremis”, mulheres em trajes sumários são responsáveis por estupros, porque incitariam os ataques devido à suposta provocação.

Sugiro que você repense sua posição.

14 | Marcelão

novembro 13th, 2009 at 16:56

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Essa UNIBAN é a antiga FEBEM!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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