Não me interessei em comprar e edição de outubro da Rolling Stone Brasil porque a matéria de capa traz mais uma daquelas polêmicas e inúteis listas das “maiores” de qualquer coisa.
Tenha uma certa birra com essas listas porque eu vivo fazendo as minhas. Aliás, eu poderia dizer que, em vários aspectos, sou uma cópia mal rascunhada de Rob Fleming, o protagonista de Alta Fidelidade (o livro que transformou Nick Hornby em um superstar da literatura pop). Daí que fico incomodado com as listas que não concordam com as minhas. Sendo assim, melhor não ler.
Mas uma tarde de sábado cuja grande emoção foi a compra de uma bicicleta me fez capitular, e acabei comprando a revista. Claro, tudo que é esperado tá lá na lista: Águas de Março, Carinhoso, todas aquelas bossas-novas chatas…
Mas duas coisas me chamaram atenção. Primeiro, a inclusão de Detalhes, bem posicionada por sinal. Uma baita música que costuma provocar narizes torcidos só por ser do rei Roberto Carlos. Mas uma audição cuidadosa pode mostrar porque ela é uma obra-prima.
Segundo, o primeiro lugar pra Construção, do Chico Buarque. O que eu achei bacana demais, já que foge das obviedades de sempre como Águas de Março (pra mim, a mais bonita da MPB) e Aquarela do Brasil. E rende mais uma de tantas homenagens merecidas pra um dos dois maiores gênios da musica brasileira. O segundo, claro, é Odair José.
