Por Luciano Abel
No início do mês de maio, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) promoveu uma solenidade comemorativa pelos 10 anos da criação do Programa Biota/FAPESP. De acordo com a própria instituição, o objetivo do Biota/FAPESP tem sido “inventariar e caracterizar a biodiversidade do Estado de São Paulo, definindo os mecanismos para sua conservação, seu potencial econômico e sua utilização sustentável”.
A FAPESP, através deste programa de incentivo à educação e pesquisa, já investiu cerca de R$ 85 milhões, os quais fomentam 84 projetos que envolvem o trabalho de mais de 1,2 mil cientistas, entre profissionais e estudantes lotados nas Universidades e centros de pesquisas espalhados pelo Estado de São Paulo. Desde sua criação, o programa Biota/FAPESP já formou 172 alunos de iniciação científica, 169 mestres, 108 doutores e 79 pós-doutores, gerou mais de 700 artigos em revistas científicas, descreveu cerca de 500 novas espécies, entre plantas, animais e microorganismos, e criou bases de dados com informações sobre aproximadamente 12 mil espécies com o conteúdo de 35 coleções biológicas.
Com esse exército de pessoas qualificadas e o arsenal de informações científicas geradas, foi possível prospectar diversos compostos de importância econômica, originar mapas que orientam políticas públicas para a conservação da biodiversidade e produzir material para o ensino formal e informal da educação ambiental.
Os números e feitos apresentados denotam o sucesso atingido pelo programa, cujos coordenadores pretendem ampliar até 2020. Para isso, realizaram, após a solenidade de comemoração, um workshop com intuito de avaliar o que já foi realizado e definir metas para os próximos 10 anos.
A notícia de que um programa financiado por dinheiro público está gerando conhecimento científico, de forma planejada, com o intuito de promover o conhecimento e o melhor aproveitamento da biodiversidade, é o tipo de informação que soa bem aos nossos ouvidos, sobretudo nesta época marcada pelo avanço da soja, do gado e de madeireiras sobre a floresta amazônica e pela recente aprovação da medida provisória 458, a qual trata da regularização fundiária da Amazônia legal, que está sendo taxada por especialistas como franca beneficiadora da expansão do agronegócio naquela região, em detrimento da sustentabilidade pela selva.
Entretanto, é lamentável que somente agora, embora nunca devamos acreditar que seja tarde demais, as autoridades dirigentes começam a perceber que a fonte primordial de geração de riqueza para quase todos os setores da economia são os recursos naturais – sejam eles bióticos ou não – e que o pleno conhecimento da sua diversidade, aliado ao estudo do seu manejo e potencialidades, tal qual uma empresa geraria seus bens mandatórios, é o princípio básico da auto-geração de divisas sustentável.
Mais informações sobre o programa Biota/FAPESP e sobre os eventos comemorativos dos seus primeiros 10 anos podem ser obtidos nos sítios abaixo:
http://www.agencia.fapesp.br/materia/10580/educacao-para-a-biodiversidade.htm
http://www.agencia.fapesp.br/materia/10594/biota-e-10.htm
http://www.agencia.fapesp.br/materia/10608/rumo-a-2020.htm
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Luciano Abel é biólogo da USP – São Carlos.
