“Vou-me embora pra Pasárgada, aqui eu não sou feliz.”
Manuel Bandeira
Em 31 de janeiro de 1993, aos 21 anos, dentro de uma Igreja Batista, eu me tornei o Marcelo Amém (esse “nome artístico” surgiu algum tempo depois da conversão, útil pra me diferenciar dos 289 Marcelos professores de Biologia que existem no interior de SP). Não vou falar aqui dos benefícios (poucos) e dos males (muitos) que essa decisão me causou, não faz sentido nesse post.
Mas o fato é que, mais ou menos em 2003, eu resolvi colocar o Marcelo Amém em hibernação. Aquela coisa toda do cristianismo não fazia mais sentido pra mim. Deus não pareceu fazer muita questão de me ajudar a solucionar minhas dúvidas. Pra não ser hipócrita (característica de 9 entre 10 evangélicos), achei melhor me retirar da presença d’Ele.
Essa decisão me trouxe algumas consequências que não foram bacanas. Porém, é talvez a atitude da qual eu mais me orgulhe na vida. Mas, até então, o Marcelo Amém estava só hibernando. Hoje, definitivamente, o Marcelo Amém morreu.
Hoje, doze de julho de dois mil e dez, um juiz, com uma canetada, colocou um ponto final na história do Marcelo Amém.
Em 2007, no falecido Weblog do Pedro Doria, eu inventei o Marcelo Darwinista. Ah, como eu gostei dessa cara. Falou muita merda, mas não teve medo de comprar briga, de falar o que achava, de ser autêntico (um dia, alguém que foi muito importante pra mim disse que gostava quando eu era autêntico).
Esse blog, o Darwiniano, só existe por causa do Marcelo Darwinista. Eu agradeço a ele por isso. Mas, por experiência própria, eu sei que a solidão é uma merda. E, por isso, eu não posso deixar o Marcelo Amém ir pros braços de Hades sozinho. O Darwinista tá indo junto. Ele e esse blog.
Por que isso? A verdade é que o Darwiniano deixou de fazer sentido pra mim. Há vários motivos pra isso, mas não vou cansar os meus 7 ou 8 leitores (copyright do Bitt) explicando os motivos.
Eu só quero agradecer, muito, algumas pessoas. E, outra vez, não vou explicar os motivos. Eles sabem porque:
Monsores, Churruminos, Nhé!, Luiz, Nat, James, El Torero, Pax, Dona Cida, Colafina, Bitt, Anrafel, Radical Livre, nada será como antes, Ricardo Cabral, Chapola, Pedro Doria. Há outros, claro, espero que eles entendam.
Um dia a gente se vê por aí. Nunca mais como Darwinista, mas não vai ser difícil me reconhecer.
P.S.: Como uma espécie de testamento, deixo aqui o monólogo inicial do filme Tudo pode dar certo (Whatever Works), de Woody Allen. O personagem principal, Boris Yellnikoff, tem uma opinião sobre a vida muito, mas muito mesmo, parecida com a minha.



